Do Lúpus ao transplante renal: conheça a história de superação de Daiane Brandão

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A infância é a fase da vida mais tranquila de uma pessoa, ou deveria ser. Mas não foi assim para Daiane Cardoso Brandão, que descobriu que era portadora de Lúpus com 10 anos de idade.

Com o passar dos anos, ela começou a ter complicações renais, pois os indivíduos que têm a doença, frequentemente sofrem do acometimento renal, que em geral, corresponde a uma glomerulonefrite, que pode apresentar-se das formas mais variadas, indo desde alterações urinárias mínimas até a insuficiência renal.

Foi então que Daiane, hoje com 32 anos, iniciou o seu acompanhamento clínico com o nefrologista Dr. Luiz José Cardoso Pereira, no Hospital Cárdio Pulmonar, em Salvador.

Em uma consulta de rotina, em dezembro de 2013, o médico havia solicitado à paciente uma biópsia renal e, ao final do procedimento, Daiane sentiu um incômodo “no pé da barriga” que não era comum ocorrer. Após realizar uma ultrassonografia para investigar o que estava acontecendo, foi descoberta uma gravidez.

“Eu fiquei sem entender, pois, eu não imaginava que pudesse engravidar. Minha primeira menstruação ocorreu aos 21 anos, por conta do meu sistema hormonal ser comprometido devido ao Lúpus. Foi uma gravidez não planejada, mesmo estando com um companheiro há 3 anos, mas não usava nenhum método contraceptivo. Para mim foi um grande susto! ”, conta Daiane, que já estava grávida de três meses.
 
Gravidez de risco
O médico explicou para Daiane que esta não seria uma gravidez segura, pois a pressão arterial dela estava muito alta e não estava conseguindo estabilizar mesmo com as medicações, além da situação renal estar se agravando cada vez mais.

“Eu não imaginava o grau de risco que tanto eu quanto o bebê estávamos expostos, até que fui para uma consulta com um reumatologista no Hospital Santo Amaro e de lá não saí mais, até ter o meu filho. Passei 70 dias na UTI”, pontua.

Daiane conta que a equipe médica estava convencida de que a melhor solução era fazer o aborto e toda a papelada legal já estava pronta, mas aos poucos, a pressão arterial conseguiu ser controlada e com seis meses e meio o parto foi realizado. 

“Infelizmente com cinco dias de nascido o meu filho veio a óbito, pois devido à medicação que eu precisei tomar para controlar a minha pressão arterial, isso afetou no desenvolvimento do bebê”, lamenta.
 
Diálise e transplante
A gravidez de Daiane acabou agravando o problema renal e ela precisaria escolher a forma de tratamento mais adequada. No final de 2014 ela optou por fazer diálise peritoneal, onde teria uma melhor qualidade de vida, pois faria o tratamento em casa e estaria sendo acompanhada pelo médico em consultas periódicas. 

“Por sugestão de Dr. Luiz, me inscrevi no programa de transplantes após um ano fazendo diálise. Fiz até exames de compatibilidade com a minha mãe, para saber se ela poderia ser uma doadora, mas infelizmente não foi compatível. Depois de quase dois anos inscrita, fui chamada para o transplante, mas o doador também não era compatível”, relata a paciente.

De acordo com Dr. Luiz, por ser mãe de Daiane, já havia cinquenta por cento de semelhança genética, mas quem define se o transplante será realizado ou não é a prova cruzada. “A prova cruzada é uma simulação do transplante em laboratório: se glóbulos brancos (linfócitos) do doador, representando o rim, forem destruídos por  anticorpos, que já se encontram no soro (parte líquida do sangue) do receptor, a prova cruzada será positiva e o transplante não poderá ser realizado, pois haverá a imediata rejeição do enxerto (rejeição hiperaguda). No caso de Daiane, as transfusões de sangue que ela recebeu na UTI a deixaram hipersensibilizada, com formação de anticorpos contra vários possíveis doadores de rim”, explica o médico.

Mas Daiane seguia firme, na esperança de conseguir um doador compatível e ter uma vida normal, um dia. Cerca de um ano após a primeira tentativa de transplante, ela teve uma segunda oportunidade, os médicos do SUS entraram em contato com ela, mas logo perceberam que Daiane estava enquadrada na lista como “reserva” e existiam outros pacientes com mais urgência para receber o rim.

“Mas eu nunca perdi a minha fé em Deus, ele sabe de todas as coisas e eu continuei orando, até que no final de 2019 eu consegui realizar o transplante renal no Hospital Ana Nery. Eu fiquei 23 dias internada, foi um momento muito difícil, mas foi como se eu tivesse renascido”, ressalta a paciente.

 
Complicações
Após ter alta médica, Daiane foi para casa, mas no dia seguinte sentiu febre e percebeu que não estava urinando. “Consegui falar com o meu médico, Dr. Luiz, que mandou eu ir para o Hospital Cárdio Pulmonar, onde fizemos vários exames e foi constatado que o meu rim estava obstruído”, explica.
Como Daiane havia feito o transplante no Hospital Ana Nery, e não havia vaga para emergência naquele dia, era preciso que o hospital concordasse que a paciente recebesse o atendimento em outro, e assim foi feito. “Eu dei entrada no sábado, fiz exames durante todo o domingo e na segunda-feira os médicos fizeram a reabertura para realizar o procedimento necessário”, relembra.

Hoje, após passados um ano e sete meses desde o transplante, Daiane conta que a vida dela é outra. Recuperou o peso que havia perdido por conta da diálise peritoneal, voltou a fazer atividades físicas que tanto gostava e está mais ativa do que nunca, cheia de planos para sua nova vida.

“Tenho uma vida tranquila e continuo sendo acompanhada pelos médicos e nutricionistas. Durante o período mais crítico da pandemia, por questões de segurança, eu realizava meus exames e enviava para os médicos por meio virtual, mas agora já estou indo pessoalmente. E eu só tenho a agradecer a todos que cuidaram de mim e dizer que os planos da gente não são os planos de Deus, ele sabe de todas as coisas”, comemora.
 


Fonte: Assessoria de Imprensa da Clínica Prorim
Jornalista Responsável: Lívia Lemos / DRT 3461

 
Por EDITORIAL, 17.FEVEREIRO.2021 | Postado em Geral 0 comentário(s)

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